1999
learning to fly

Para encontrar a verdadeira “génese bíblica” da comOn é preciso recuar mais de duas décadas e aterrar numa sala de aulas da escola secundária da Baixa da Banheira. Foi lá que o Rui e o Ricardo se conheceram à décima tentativa, principalmente porque não tinham nada que ver um com o outro. O Rui, mais reservado; o Ricardo, verdadeiro showbiz. Mas havia uma paixão comum – a da informática –, que os juntou no planeamento de eventos escolares e que os fez reencontrarem-se anos mais tarde nas quatro paredes da mesma consultora.

Rapidamente perceberam que a vida de fato e gravata não era para eles e o convite para liderarem uma equipa de desenvolvimento informático chamou-lhes a atenção. Não durou muito tempo, claro, porque parar é morrer, e (também) porque depressa chegaram à conclusão que as dezenas de propostas criativas que continuavam a “bater na trave” mereciam melhor destino. Entra na equação o Sérgio, uma personagem até agora desconhecida nesta história mas que há já muito tempo fazia parte do círculo, e um convite virado do avesso – o Sérgio convidou a dupla a juntar-se a um novo projeto... e o Ricardo e o Rui ao deles. Os interesses do trio alinharam-se e a nova empresa foi celebrada “com Moscatel e figos com noz”, disse o Sérgio, talvez com esperança que os entrevistadores inocentemente acreditassem.

O objetivo da nova empresa, chamada Elemento Digital (ninguém assumiu a culpa por este nome até ao fecho da entrevista), era autoexplicativo: “surfar” a onda das dot.com e trazer aquilo a que se gosta de chamar de “valor acrescentado” a projetos para o mundo digital. Formaram-se parcerias sólidas com empresas, fizeram-se sites sobre rottweilers e estudos de mercado sobre terras distantes; o último, curiosamente, seria o trabalho que serviria de desculpa para o objeto da empresa - marketing e publicidade. Como todos os grandes progressos da Humanidade, é porreiro perceber que também a comOn, como ela é, aconteceu por acidente.

Seguiu-se um período com as habituais dores de crescimento, muitas decisões difíceis, e uma fase em que a agência se envolveu com algumas das principais agências de publicidade em Portugal sobretudo enquanto “player tecnológico” – a comOn passou a ser o complemento perfeito enquanto expert tecnológica; as mãos e o cérebro que tornavam real a visão de outros.

Let's Web Together

Em 2004 deu-se uma dupla viragem na história da comOn. Por um lado, começou a ser feita uma abordagem direta às marcas, ao contrário do que até agora acontecia. Por outro, a agência começa a pisar o território do recém-nascido web marketing, na sua maioria com as ferramentas da Google – SEO e Adwords, entre outras. A formação na área da engenharia dos três sócios veio à tona com a abordagem altamente focada na estratégia e na análise.

Passados três anos, já com uma reputação devidamente cimentada na área do web marketing, a agência estabelece um novo marco na sua história ao promover a primeira conferência de marketing digital em Portugal, a e-MKT Conference, onde participaram algumas das principais associações internacionais – e até a Google. A presença de tantos players importantes da área do marketing mostrou que o futuro digital era, afinal, o presente. E que a comOn podia fazer parte deste presente. No ano seguinte o nome Elemento Digital desaparece da face da terra e a agência renasce, finalmente, como comOn.

A partir daqui o crescimento foi mais natural e orgânico do que nunca. O caminho tornou-se cada vez mais claro. Da Baixa da Banheira para Setúbal, de Setúbal para o Parque das Nações, provavelmente a mudança mais significativa na história da comOn – quem não está em Lisboa não está na linha da frente –, e finalmente do Parque das Nações para o Hood, um espaço criado de raiz para responder à visão do Rui, do Ricardo e do Sérgio – mais do que uma agência full-service, um espaço para formar, brincar, crescer e criar.

Esta história não estaria completa sem outras personagens verdadeiramente importantes para a comOn. Os nomes serão mantidos em anonimato neste espaço mas o contributo deles no dia-a-dia da agência é tudo menos anónimo. Personagens com um talento e um potencial tremendos a quem foi dada autonomia, espaço e licença para matar o mais difícil dos briefings, a ponto de, com um mero sussurrar de nome, fazerem com que mais talentos se juntassem à equipa comOn. A materialização do potencial de quem acompanha a agência desde há muito foi o empurrão necessário para uma ambição e fasquia cada vez maiores. Ainda tentaram ficar em Setúbal porque as raízes são fortes e têm história. O plano era vir buscar os clientes a Lisboa com uma lancha. “Moscatel e figos com noz”. Certo.