Patrícia Rodrigues

Account Director

Sapatos, ténis ou chinelos?

Os três. Ou mesmo os três em um. Para dançar, caminhar, sentir todas as cidades do mundo inteiro e guarda-las na alma dos sapatos. Porque os sapatos têm alma. E o melhor de sempre é – sejam quais forem – despir os sapatos e atirá-los para um canto de mim porque já não estão a jeito dos meus pés ou porque a praia está mesmo à mão.

O que andas a fazer?

A correr e a saltar e a parar para respirar. A ver como deve ser e a ser o que quero ver. Essencial, mesmo, é tudo aquilo que consigo fazer a andar. Porque não dá para parar. E também faço andar coisas. Já outras, muito claramente, ponho-as a andar. Não sem antes ponderar “if I were on his/her/their shoes”.

Por onde andaram os teus sapatos?

Pisaram o chão mais tortuoso e escorregadio e a mais leve das nuvens. Porque em mim todos os sapatos são voadores e estão simultaneamente preparados para as profundezas. Ah, e navegam que se fartam. De sol a sola. Pé ante pé. Com pezinhos de lã. Ou mesmo à sapatada. Acontece tropeçarem um no outro. Os sapatos, claro. E gosto de sapateira e de meias (nunca meias doses) e de mãos nos pés. Sem sapatos, nem pés pelas mãos.

E para onde gostavas que te levassem?

Enfim, ao fim do mundo e sempre ao princípio das coisas. Porque gosto de seguir todos os passos do princípio ao fim. Às vezes gostava que me levassem num trapézio voador, sem rede. O que não significa off line, mas também serve.

Já calçaste os sapatos de alguém?

Muitas vezes. Nem sempre é confortável. Umas vezes sobram, outras apertam e nunca dão comigo. Talvez seja por isso que demoro tanto tempo a escolher onde ponho os pés.

Gostavas de calçar os sapatos de quem?

Os que Dorothy usou na Yellow Brick Road e todos os da Imelda mas, sem seguir os seu passos.

Como é que vão ser os sapatos dos teus netos?

Feitos por mim, com certeza. No lado curtinho dos pequenos passos que trazem aquele sorriso irresistível que os meus filhos lhes vão calçar.